Domingo, Fevereiro 05, 2012
Ah, mas eu tô tão quietinha, eu nem quero ficar falando demais. Eu tô com vontade de colocar pra tocar uma música malandra, marota, e ficar pensando em você calada. Quietinha. Que assim você não se assusta, você não me escapa, e eu posso te abraçar bem juntinho e apertadinho no meu pensamento gostoso. Ah, eu nem queria ficar falando muito, porquê sou medrosa e você sabe, mas hoje não deu pra esconder que quando você veio ontem e a gente se abraçou e você pegou na minha mão e a gente se beijou depois, eu nem pensei (muita) malícia rsrsrs. Na verdade eu só pensei na pontadinha que meu coração deu pra me avisar o quanto eu tava achando gostoso. O quanto tava bom te abraçar pelos poucos minutos que ainda restavam, sentir seu cheiro de gente grande na sua camisa enquanto você ri seu riso bobo com sua bocona larga e todos os dentes possíveis. Eu gosto. Rs. >.<
Hoje eu tive que dizer que ter te visto por tão pouco tempo fez minha saudadinha aumentar, mas tudo bem, logo logo né? Logo estaremos perto pra eu judiar de você, puxar seu cabelo grosso, apertar seus braços até cortar a língua de tanta síndrome de Felícia, dar um beijo gostoso na sua bochecha e sentir o cheiro úmido da sua nuca sempre meio suada. Na verdade eu sempre procuro não vir aqui falar de você, e acho que no fundo eu estou mesmo torcendo pra que você nem sequer veja isso aqui. Mas uma hora ou outra você vai acabar vendo (eu acho). Tudo bem. Só não foge a pé, tá?
Sábado, Janeiro 21, 2012
(re)fletindo.
É incrível como a memória nos prega peças, e o no meio de um dia comum a gente para pra ver e ler algumas coisas, escutar algumas músicas e PAF. A vida dá meio que um tapa na sua cara. Tô em mais uma daquelas fases de me emocionar até com comercial de manteiga, de querer ficar quietinha quietinha, calada só pensando e sentindo tanta coisa. Ler esse blog aqui é fazer uma tremenda restrospectiva, mas não é como um filme, é como um turbilhão de sentimentos passando por mim. Olho pra muita coisa e penso: "quem diria que viver ia dar nisso". Quem diria? Hoje eu tive um sonho tão estranho, tenho pensado muito numa palavrinha: EVOLUÇÃO. E me pergunto o que essa palavrinha em forma de aumentativo de fato imprime.
Meu Deus eu olho pra minha história lá atrás e vejo tanta gente que já acalentei, que embalei no colo, que levei nos braços simplesmente passar por mim e fingir que não me vê. Eu vejo gente que eu empurrei pra frente passar por cima de mim como se jamais tivesse me conhecido na vida. É estranho ter que dizer e pensar sobre isso, mas, bom mesmo não é aquele que tá do seu lado quando tudo tá dando certo. Bom, bom mesmo, de verdade, é aquele que segurou sua mão quando tu teve medo e a boca roxeou de falta de ar. É aquele que disse que você era lindo mesmo quando você estava gordo e sujo. É aquele que aturou seu péssimo emprego e fez graça do seu uniforme ridículo junto contigo. Que aturou seu mau humor e seu cansaço. Que passou pomada na sua bunda assada, que ficou junto contigo quando você não tinha grana e dormiu abraçado quando o domingo era tedioso e medonho.
Será que todo mundo é tão assim? Sei que já fui muito má nessa vida, já fui muito sacana também, mas olhando pra trás e pra tudo consigo pensar que de tanta e tanta gente que já me passou pela vida, além de ter muito aprendido, ensinei muito também. E ajudei. Evolução, porque não? As pessoas apenas passam pelas nossas mãos.
Aprendem a escovar os dentes sempre, tomar banho, aprendem a sentir sem medo, aprendem a levar tombos (porque não?), aprendem a sentir prazer, a correr atrás, aprendem sobre si mesmos e por fim voam. Às vezes me dói um pouco não participar mais da vida de pessoas que já me foram muito caras, e não poder por besteiras, idiotices, ou nem tanto. Não consigo deixar de pensar que somos todos seres humanos e que perder pessoas durante o curso da vida é um tremendo desperdício, é a coisa mais imbecil que possamos fazer. Não sei.
Só sei que acho que as paixões passam, os interesses mútuos também, mas o que não deveria passar é a cumplicidade e o fato de que a gente se reparte tantas vezes, e se divide tanto, e um certo dia nem se olha mais. Quantos amigos não mais tenho? Os que sobraram são de fato aqueles de rocha firme. Quantas pessoas importantes já não fazem mais parte de minha vida?
É. Recordar e re(viver). Mas reviver com outros olhos. Refletir um pouco sobre como o curso da vida atua e molda cada um de seus personagens.
Pois é.
Velinhas pra Velhinha.
Hoje quando acordei eu vi a pessoa mais importante do mundo de pijama sentadinha num banquinho olhando pensativamente pra sapateira que ela adora arrumar. Eu olhei pra ela com as perninhas enfiadas em um sapato de salto (como uma criança que foi mexer nas coisas da mãe e enfiou o mais bonito que viu pela frente no pé), a mãozinha no queixo, o olhar perdido. Vi que ela é uma menina que brinca de Tétris. O tétris da vida real, encaixando as coisas no seu devido lugar, olhando com os olhões espertos de sempre tudo ao redor e esperando que tudo se encaixe, fazendo um concerto aqui e acolá pra ver todo mundo melhor. Essa é a minha mãe. E nos poucos passos que me separavam dela, entre o corredor e a porta do quarto, eu agradeci mais uma vez a Deus por tê-la na minha vida. "Feliz aniversário, Mãe!", foi a Frase que veio na boca, mas a do coração dizia: obrigada meu Deus por mais um ano em que a tenho comigo.
Eu poderia ter começado esse texto aqui falando da força do seu trabalho, ou da delicadeza de suas mãozinhas. Poderia falar de como sabem ser duras as palavras que saem da sua boca, ou ainda de como é maravilhosamente confortável ter você por perto em minha vida. Poderia falar que quando estou com medo do mundo e da morte é pra você que eu corro, e do cheiro delicado e limpo que você deixa pelo ar onde você passa. Posso estar sendo a pessoa mais puxa-saco do mundo , mas eu só quero lhe dizer o que agradeço sempre por poder sentar do seu lado e falar de tudo. O quanto eu curto seu jeito franco. Essa aqui é só a nossa história contada pela minha lente. E existem outras lentes tantas a te contar e olhar.
Os atritos, e as crises de mau-humor, as falhas e as implicâncias (que sempre tem), essas o tempo corrige. Ou não corrige. E a vida segue o seu curso de sempre. Sei que já chorei muito, que já brigamos muito, que conheço seus defeitos assim como você conhece os meus. Mas por fim o que sobra é isso: o seu amor.
Mãe! Eu espero que Deus lhe dê mais muitos e muitos anos de vida. Pra que eu possa pra sempre pegar o celular querendo dizer MÃE, ME AJUDA, EU TÔ COM MEDO, e no lugar disso falar "Oi mãe, tá tudo bem por aí?", e da mesma forma, sentir dentro do coração que as coisas estão bem, porque você tá aqui.
Amo você.
Eu poderia ter começado esse texto aqui falando da força do seu trabalho, ou da delicadeza de suas mãozinhas. Poderia falar de como sabem ser duras as palavras que saem da sua boca, ou ainda de como é maravilhosamente confortável ter você por perto em minha vida. Poderia falar que quando estou com medo do mundo e da morte é pra você que eu corro, e do cheiro delicado e limpo que você deixa pelo ar onde você passa. Posso estar sendo a pessoa mais puxa-saco do mundo , mas eu só quero lhe dizer o que agradeço sempre por poder sentar do seu lado e falar de tudo. O quanto eu curto seu jeito franco. Essa aqui é só a nossa história contada pela minha lente. E existem outras lentes tantas a te contar e olhar.
Os atritos, e as crises de mau-humor, as falhas e as implicâncias (que sempre tem), essas o tempo corrige. Ou não corrige. E a vida segue o seu curso de sempre. Sei que já chorei muito, que já brigamos muito, que conheço seus defeitos assim como você conhece os meus. Mas por fim o que sobra é isso: o seu amor.
Mãe! Eu espero que Deus lhe dê mais muitos e muitos anos de vida. Pra que eu possa pra sempre pegar o celular querendo dizer MÃE, ME AJUDA, EU TÔ COM MEDO, e no lugar disso falar "Oi mãe, tá tudo bem por aí?", e da mesma forma, sentir dentro do coração que as coisas estão bem, porque você tá aqui.
Amo você.
Sexta-feira, Janeiro 20, 2012
Onisciência
Deus escuta quando eu piro
e quando tenho agudos ai’s.
Quando eu me viro pra trás
(e vira minha cara pra frente).
Deus escuta toda noite
meu sonho e o ranger de dente.
Deus ouve quando agradeço
quando canto com louvor
um canto qualquer desse mundo
Bóio mansa, larga, rasa,
nesse mistério profundo.
Deus escuta que a vida é o rito,
e meus gemidos de prazer.
Não é só de dor que eu grito
Sexta-feira, Janeiro 06, 2012
A quem interessar possa.
Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro antes, durante e depois de te encontrar.
Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar. Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência.
Pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu lado. A saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua desajeitada e irrefletida permanência.
Martha Medeiros
Sexta-feira, Dezembro 23, 2011
FÉRIAS
Meu Deus, graças à Deus férias!
FÉÉÉÉÉÉRIIIIIIIIIIIIIIIIIAAAAAAAAAAAAAASSSS!
Tô com vontade de gritar bem alto, apesar de saber que daqui a pouco vou estar enjoada delas. FÉRIAS desse ano conturbado e maluco. Férias de contar grana pra dar no final do mês: quero ficar de cara pro ar. Férias de trabalho, faculdade, ficar pensando nas provas. Tô deixando as PFs pro dia das PFs, tô deixando os professores e suas caras feias pra depois. Chega de enxeção de saco de qualquer tipo ou espécie, CHEEEEEEEEEEEEEEGA!
Tô gritando pra todo mundo que quiser ouvir: JÁÁÁÁ DEU, ENTENDEU? Quero que a minha mãe, o meu pai, os meus amigos, as minhas irmãs, as pessoas todas me deixem pelo menos viver a porra do final de ano do jeito que eu quero. Me deixem pelo menos sossegada sem ter que me justificar, pedir desculpas, batalhar, argumentar, tentar fazer com que acreditem em mim, pelo menos nestes poucos dias que restam.
Nesse ano eu não vou fazer a linha bondosa "desejo o bem pra todo mundo". NÃO! Me deixem esse ano guardar os meus rancores, querer que os grandessíssimos filhos da puta que me foderam e tiraram sarro da minha cara SE FODAM. Me deixem desejar bem só pra quem me fez bem. Deixem a minha pitada de bile no bife, deixem a minha alegria descarada, escrachada. Deixem a minha tristeza sem limite. Deixem a minha solidão vagabunda. Deixem, sim?
Deixem eu voltar ralada, estourada, fodida, descabelada, desgrenhada, rasgada, joelhos sangrando. E se for preciso, me deixem voltar.
Terça-feira, Dezembro 13, 2011
"sobre você"
Acho que foi na quinta ou na sexta série quando a minha professora de português, que se chamava Linda, pediu pra que a gente fizesse uma redação: "escreva um texto sobre você mesmo". Naquela época, na quinta ou sexta série ainda éramos crianças, e o furdunço foi aquele que sempre acontece nas salas de crianças: quantas linhas? ahhh não! o que é pra falar? como é pra fazer? E eu era a única calada no meio da confusão, pois a menina que morava na minha cabeça e narrava a minha história em 3ª pessoa do singular desde que eu me entendia por gente, me alertou que 20 linhas seriam pouco e que aquele seria apenas mais um dos vários e vários textos que eu já havia escrito e que ainda escreveria sobre mim. Por fim, quase não consigo escrever nada sendo que o conflito era grande entre as coisas que as pessoas gostariam de saber (qual era a minha cor preferida, meu sabor predileto de sorvete, minha idade, quantos irmãos) e as coisas que eu realmente considerava importantes sobre mim.
Olho pra traz e me vejo criança e a experiência é a mesma de abrir aquela gaveta de fotos da casa da minha mãe. Olhar as fotos não é apenas VER a cena, é a sentir de novo em cada detalhe mínimo como a sombra que a luz fazia nos meus olhos, ou o cheiro bom de verniz e madeira das cadeiras da escola, o som do meu coração pulsando rápido de medo de descer as escadas do porão, ou a sensação invasora que os acordes do violão do meu tio causavam em mim, me deixando inquieta. Olho pra traz e vejo ali, naquela menina loira e magrinha o mesmo coração confuso, inquieto, que bate agora dentro da moça (ainda magrinha) que circula pelos corredores da universidade. A menina loira na verdade era como que um rascunho da mulher de agora. Escrevo e dou risada da palavra mulher, justamente por saber que daqui alguns anos vou me achar tão imatura e infantil quanto não percebo agora. Rio também porque se me visse andando por aí, se a menina que narra toda minha vida em terceira pessoa desde que me entendo por gente visse, talvez não me julgasse assim tão mulher. Mas olhando pra mim a fundo, às vezes me descubro tão forte, tão pedra, e por outras tão pequena e ínfima, que acredito o seguinte: só mesmo uma grande mulher, uma pessoa de muita coragem, pra se permitir sentir assim. Sem falsa modéstia, sem fazer rodeios.
A menina que narra minha vida em terceira pessoa avisou assim: vezenquando, sentia sua força tão irredutivel e surpreendente que sentia-se oca, sem acreditar mais em quase nada do mundo, pois uma das poucas coisas na qual acreditava era isso: nela. Como se o mundo todo acontecesse pra dentro, como se pudesse engolir todas as coisas pela boca aberta e depois mastigá-las e ruminá-las dentro de si. Coisas simples como o barulho do vento, a pouco sol das tardes cinzas, a luz das lâmpadas acesas enquanto o sol brilhava lá fora.
Minha lista de coisas que gostaria de ter dito na redação da quinta série na verdade nunca mudou, talvez ainda seja a mesma. Sou tão tímida que escondo tudo por detrás dos meus gestos efusivos, palavrões, voz alta, como se me virar pelo avesso fosse a única saída pra vencer a timidez que está por fora. Sou tão bicho do mato que não sei nem falar com atendente de Telefonia Celular, nem marcar consulta médica, nem pegar fila no MC Donalds. Sou tão complexada com minha magreza que às vezes não quero nem sair da cama ou de casa, mas acabo fazendo sempre o contrário. Ainda morro de medo de chegar perto do "garoto que eu gosto" mesmo depois de anos de convivência. Perto dele eu faço a linha segura, mas eu travo, eu não sei o que falar nem como agir, eu sinto vergonha. Eu tenho mania de abraçar as toalhas da minha mãe quando ela sai de casa porque aquele é o cheiro de lugar seguro. Eu ligo pra ela muitas e muitas vezes pra pedir pra ela me salvar do medo da vida e da morte e no final nunca digo nada. Eu faço promessas quando estou desesperada e depois fico com medo de não conseguir cumprir. Quando escuto um poema ou quando leio um texto de que eu goste muito meus olhos se enchem de água sem querer. Existem músicas que fazem meu coração ficar apertado de um sentimento que ainda não sei nomear nem classificar, e que não sei se é uma vontade de engolir o mundo ou de vomitar todas as tintas e cores que guardo dentro de mim. As músicas tem muita cor. E finalmente, não sou uma criança, embora queira muito ser, e vezenquando tenho total desprezo pelo mundo e suas coisas e pessoas (com raríssimas exceções). Tanto desprezo que chego a ser arrogante a ponto de achar tudo desinteressante, superficial e chato, Inclusive eu, que de tão profunda, pareço rasa.Que de tão arrogante e mesquinha que às vezes só queria ser igual a todos os outros.
"E esse é só mais um dos milhares de textos que ela já escreveu ou ainda vai escrever sobre si"
Segunda-feira, Dezembro 12, 2011
Não sei se existe coisa mais desanimadora, mais cinza, mais barulho de pedra, oco na parede, loca de rio que isso: saber que não consigo mais escrever.
Sábado, Dezembro 10, 2011
Sexta-feira, Dezembro 02, 2011
Eu sou de novo a criança de cinco anos de idade brincando de estátua. Eu sou a última estátua da brincadeira e dois olhos me observam atentos a qualquer movimento meu. A respiração está acelerada e o coração quase sai pela boca. Uma gota de suor brota gelada da minha nuca e escorre pelas costas. Minha testa já está molhada de suor frio. Meu observador me encara, atento ao mínimo movimento, mínima piscadela, milímetro de desequilibrio e movimento. Mas a vida, esta não é um jogo de estátuas. E até o não-movimento implica em alguma coisa.
Domingo, Novembro 27, 2011
Terça-feira, Novembro 08, 2011
Bobice.
Ok, faz pelo menos meia hora que cansei de ficar olhando a mesma foto, abri a sua caixa de mensagens inbox no facebook e fiquei olhando pro coraçãozinho cor-de-rosa que você me mandou ontem de tardezinha. Ensaiei até agora pra falar alguma coisa pra você, mas ainda não disse nada, já que o mais sensato a fazer seria desconsiderar o seu coraçãozinho e parar de sentir pontadinhas de alegria toda vez que eu olho ele lá. Ando me sentindo meio boba, meio patética. Tento olhar de fora e o que vejo é uma moça que já começou a monografia preocupada com o castigo que uma garotinha do primeiro ano colegial levou por não ter tirado boas notas (meu Deus, que vergonha, olhando assim parece até perversão, loucura, sei lá o quê).
Eu morro de preocupação e você dá risada, nem liga. Nem liga se sua mãe tirou celular, cartão de crédito, computador, visitas, saídas, e só não tirou a vida porque aí já era demais. Não liga se vai repetir de ano. Continua rindo aquela risada indiscreta que denuncia a idade sem querer. Ops.
Eu morro de preocupação e você dá risada, nem liga. Nem liga se sua mãe tirou celular, cartão de crédito, computador, visitas, saídas, e só não tirou a vida porque aí já era demais. Não liga se vai repetir de ano. Continua rindo aquela risada indiscreta que denuncia a idade sem querer. Ops.
E eu fico aqui querendo fugir do elástico fino, mas resistente que eu, por distração, deixei você pôr em mim. Ando pra todos os lados e ele vai se esticando, se adaptando, mas permanece dando puxadinhas "heeey, to aqui". É, você tá aí.
Inconsequente eu já vi que você é pelo pouco tempo que eu te conheço, e eu pelo jeito sou mais ainda em me deixar apegar. Mas mesmo assim não consigo deixar de achar que você tem o joelho ralado mais bonito do mundo e as unhas vermelhas mais charmosas e a vozinha maaais meiga da região sudeste do Mato Grosso. Nem consigo parar de imaginar como você deve ficar linda jogando handball.
Hoje é um dos dias em que tô fazendo um bico feio daqueles e uma cara feia daquelas que faz com que você morra de rir sua gargalhada adolescente boba e até meio mongol e diga "aaaaai Bela" daquele jeito inconfundível, com a voz que eu já distingo há sei lá quantos quilometros de distância estamos.
Nunca pude imaginar que essa história ia desaguar nisso. Mas é assim: TODAS as histórias da vida são de fato surpreendentes. Você é mais uma delas e pode ser que passe rápido. O alerta vermelho já piscou algumas vezes e eu, ainda mais inconsequente e maluca que você, ignorei. Agora quem está parecendo uma garotinha do colegial "insegura, boba, desinteressante" sou eu.
Inconsequente eu já vi que você é pelo pouco tempo que eu te conheço, e eu pelo jeito sou mais ainda em me deixar apegar. Mas mesmo assim não consigo deixar de achar que você tem o joelho ralado mais bonito do mundo e as unhas vermelhas mais charmosas e a vozinha maaais meiga da região sudeste do Mato Grosso. Nem consigo parar de imaginar como você deve ficar linda jogando handball.
Hoje é um dos dias em que tô fazendo um bico feio daqueles e uma cara feia daquelas que faz com que você morra de rir sua gargalhada adolescente boba e até meio mongol e diga "aaaaai Bela" daquele jeito inconfundível, com a voz que eu já distingo há sei lá quantos quilometros de distância estamos.
Nunca pude imaginar que essa história ia desaguar nisso. Mas é assim: TODAS as histórias da vida são de fato surpreendentes. Você é mais uma delas e pode ser que passe rápido. O alerta vermelho já piscou algumas vezes e eu, ainda mais inconsequente e maluca que você, ignorei. Agora quem está parecendo uma garotinha do colegial "insegura, boba, desinteressante" sou eu.
Pode ser.
Sem querer, tô pagando pra ver.
Segunda-feira, Outubro 17, 2011
Quantas chances desperdicei quando o que eu mais queria era provar pra todo mundo que eu não pecisava provar nada pra ninguém.
Considerações.
Quando a conheceu tinha treze anos e desde então já ficou se perguntando o que é que ela escondia embaixo daqueles cabelos revoltos de cachos alourados e daquele sorriso largo e debochado. Era beleza? Não. Era inteligência? Naquela época nem suspeitava que a tivesse. Era o ar de quem não leva nada a sério? Talvez. Era a alegria contagiante? Podia ser. E no auge dos hormônios implacáveis dos seus treze anos, quis a moça displicente, como quem deseja um chocolate, assim: eu quero. Quase uma birra. Mas só tinha treze anos, e a moça já devia estar pra lá dos seus dezessete. Então.. depois de ser beijada algumas vezes e esnobada o dobro resolveu deixar quieto. Prometeu a si mesma nunca mais se envolver com a outra. Esqueceu. Olhou pra frente e por fim, sem lembrar de nada: cresceu.
Hoje a menininha boba dos treze já não é mais apenas uma garotinha (embora ainda se pareça com uma) e acredito que esse fato se faça notar. Sete anos depois, veja a história mudar e comungar. Ainda se pergunta o que a moça dos cachos alourados guarda embaixo dos caracóis dos seus cabelos, mas dessa vez quase sabe como responder: o que ela tem na verdade era uma cabeça pensante e inteligente, esperta o bastante pra fingir sempre que não pensa em nada a fim de se dar melhor e não se complicar. Tem um sorriso largo, bonito e bobo que esconde uma passada dependencia química e um corpo que revela cicatrizes, várias, muitas, de muitos acidentes passados. Nas costas ela talvez carregue a morte de uma pessoa, apesar de não ter sido sua culpa. Anda por aí olhando tudo como se não olhasse de fato pra nada. Ou seria olhando pra nada como se visse tudo? Não conversa sério com ninguém pra não se envolver em questões relevantes, pra não arrumar confusão pra si. E é a coisa que mais arruma. Não leva ninguém a sério, mas trata todo mundo bem. Nunca quer ninguém mas anda por aí desejando a todos. Isso encanta? Encanta. Todo mundo.
Dessa vez a menininha dos treze, que agora é a moça dos quase vinte e um, tem a resposta mais clara na ponta da língua porque a moça que não quer nada com ninguém achou de querer algo com ela. A moça que não fala sério com ninguém de repente achou que devesse falar com ela. A moça que nao assume ninguém de repente pegou na sua mão e mostrou o moralismo escondido por trás de tamanha putaria e desapego. A moça que não se apega se apegou.
Eu acho tão engraçado quando os papéis se revertem desse jeito. É difícil admitir que agora talvez eu não seja a melhor pessoa do mundo a quem se apegar. Talvez agora eu tenha cansado de confiar e ser a certinha. É meio complicado ver alguém que nunca fala sério de repente precisando engolir o choro, de repente dizendo: eu gosto. Complicado por que a vida me colocou com todas as minhas coisas num liquidificador e bateu e agora eu viei essa pasta cor-de-rosa ambulante com mil coisas misturadas. Você faz tudo por mim, você fez tudo por mim, mas agora, desculpa?
Apesar de eu gostar do seu sorriso largo, das suas brincadeiras que me matam de rir, da sua cabeleira de leão, da sua mania de assistir jornal e ficar irritando todas as pessoas, do jeito diferente que você age quando está comigo, da sua cara de velhinha. Me desculpa? Estranho dizer que um dia eu já te quis tanto e fui tão boba, e que hoje é você quem quer e eu estou te decepcionando. Te deixando embasbacada. Apenas pelo fato de que eu sou a única pessoa de todas as que você poderia ter que: simplesmente não quer.
Desculpa? Você pode fazer de tudo por mim, você faz, mas eu simplesmente acho que por enquanto não estou em condição de fazer nada por ninguém. =/
Dessa vez a menininha dos treze, que agora é a moça dos quase vinte e um, tem a resposta mais clara na ponta da língua porque a moça que não quer nada com ninguém achou de querer algo com ela. A moça que não fala sério com ninguém de repente achou que devesse falar com ela. A moça que nao assume ninguém de repente pegou na sua mão e mostrou o moralismo escondido por trás de tamanha putaria e desapego. A moça que não se apega se apegou.
Eu acho tão engraçado quando os papéis se revertem desse jeito. É difícil admitir que agora talvez eu não seja a melhor pessoa do mundo a quem se apegar. Talvez agora eu tenha cansado de confiar e ser a certinha. É meio complicado ver alguém que nunca fala sério de repente precisando engolir o choro, de repente dizendo: eu gosto. Complicado por que a vida me colocou com todas as minhas coisas num liquidificador e bateu e agora eu viei essa pasta cor-de-rosa ambulante com mil coisas misturadas. Você faz tudo por mim, você fez tudo por mim, mas agora, desculpa?
Apesar de eu gostar do seu sorriso largo, das suas brincadeiras que me matam de rir, da sua cabeleira de leão, da sua mania de assistir jornal e ficar irritando todas as pessoas, do jeito diferente que você age quando está comigo, da sua cara de velhinha. Me desculpa? Estranho dizer que um dia eu já te quis tanto e fui tão boba, e que hoje é você quem quer e eu estou te decepcionando. Te deixando embasbacada. Apenas pelo fato de que eu sou a única pessoa de todas as que você poderia ter que: simplesmente não quer.
Desculpa? Você pode fazer de tudo por mim, você faz, mas eu simplesmente acho que por enquanto não estou em condição de fazer nada por ninguém. =/
Sexta-feira, Setembro 30, 2011
Quarta-feira, Setembro 28, 2011
Pra ficar em paz
São 04:27 da manhã e eu estou aqui na sala de casa sentindo saudades. Parece que a minha vida é falar de saudade. Já resgatei na memória todas as músicas que se parecem com a situação e ouvi todas. Já li e reli textos, já vi fotos, assisti vídeos, já chorei, esperneei, dei gargalhadas com a Alynny, e o sono? Nada. Só sobrou mesmo a saudade e mais uma vez eu estou aqui, publicando, escrevendo, contando, porque essa é a unica coisa que eu sei fazer: falar. Falo demais, bombardeio todo mundo com mil informações a respeito de mim, porque no fundo essa necessidade enorme de me expressar é só a necessidade enorme que você saiba. Estou escrevendo aqui mais uma vez pra você saber. Às vezes me sinto meio idiota escrevendo tanta coisa pra você, sobre você, ás vezes acho que eu deveria ser misteriosa, ser cheia de mágoas, guardar rancores, fazer jogo, conservar o silência das pessoas que fazem mistério pra serem mais interessantes. Não consigo. Faço fita por um segundo de birra e irritação e cinco minutos depois já me arrependi e estou me derramando em cima da mesa. Sirva-se como quiser das minhas emoções. Não tem jeito, não adianta, é mais forte que eu a vontade de jogar pra fora, jorrar sangue e mel misturados. Às vezes eu fico pensando se não irrita, se não enche o saco essa mania de querer me esmiuçar demais, mostrar demais o que vai por dentro. Mas é vício, escrever já é um vício que vem agregado a outros tantos fatores e hoje estou com saudades. Só quero lhe dizer que por mais marcada e suja que eu esteja de tantos tombos e esbarros, por mais ralada, por mais jeans velho que eu esteja ainda conservo em mim a vontade de ver nosso amor feliz. Queria passar uma borracha em tudo que foi dito e ainda agora enquanto escrevo conservo a esperança de que ao ler isso aqui você pense assim como eu: chega, quero o nosso amor feliz de volta. Você sorria e sinta saudades dele tanto quanto eu, desse amor que "vem pra misturar juízo e carnaval". Tô com tanta saudades que tô sonhando com a hora em que na quinta feira eu vou te dar o abraço mais apertado e feliz do mundo e vou sentir seu perfume de sempre na sua jaqueta e vou olhar sorrindo pra sua cara séria. Tô esperançosa que amanhã quando ver isso aqui você venha me dizer um oi tão feliz quanto o que eu espero ouvir, que venha me contar dos seus sorrisos todos, que a gente fale só coisas leves porque no outro dia já vai ser o dia do nosso abraço apertado, do beijo molhado com chuva de papel picado e tudo aquilo mais que só acontece com o NOSSO encontro. Hoje eu vou dormir feliz, apesar de tudo, porque eu só quero pensar no NÓS, aquele nós que vem vindo aí, dos dias que virão, regados à sorrisos e à espera mais prazerosa que existe: a espera tranquila pela hora de ser completamente feliz. Delirantemente feliz. Sabe, eu já pensei em tanta coisa, mas eu não vou desistir agora, eu não nadei tanto pra morrer na praia, eu não vi a nossa história brotar e virar essa árvore linda, (tô com saudade da sua sombra boa), ver ela criar raízes (por mais que às vezes pareçam incertas) pra eu de um dia pro outro chegar com uma motosserra e acabar com tudo. Não. Eu não tô a fim de desistir porque sei que daqui a pouco nem eu nem tampouco você vamos querer ter desistido. Já vi esse filme, não quero, não posso, não vou nos abandonar de novo. Enquanto isso, vou esperando ansiosa por amanhã, quem sabe? Você vem falar comigo daquele jeito alegre que eu tenho tanta saudade, com aquele sorriso bobo, com aqueles olhos atentos e eu manteiga por dentro. Se já estamos tão perto da hora do encontro, pra que que eu vou complicar? Pra que que a gente vai se afastar? Sem lógica, sem motivo. Se eu te tenho nas mãos pra que que eu vou me segurar em algum lugar? Vai, Isabela, sonha mais uma vez que o sonho é o que te move. Deita a cabeça no travesseiro, meu bem, toma um relaxante muscular pra não estar mancando na hora de vê-la e guarda esse soprinho no coração que diz: calma, amanhã quem sabe ela acorda pensando o mesmo e o dia vai ser feliz :)
"Porque ninguém vai dormir nossos sonhos"
"Porque ninguém vai dormir nossos sonhos"
Domingo, Setembro 25, 2011
Sexta-feira, Setembro 16, 2011
Ainda não.
Hoje é um daqueles dias em que eu poderia começar esse texto fazendo um imenso drama. Mas não é isso o que vou fazer, embora possa parecer. Hoje eu escrevo com uma frieza tão crua, tão mesquinha, que sinto até um pouquinho de dó do meu coração desaprendido de sofrer rasgado. Hoje eu poderia escrever tanta coisa, mas sinceramente quase nem começo esse texto por medo. Medo de falar demais, medo do que possa sair de dentro pra fora e do que as pessoas possam interpretar de fora pra dentro. Por medo de querer que este seja um texto frio e definitivo sobre determinado e no final ele venha a ficar piegas e venha a ser só mais um dos montes que eu vá escrever pra aplacar a dor. Pra deixar constando. Mas mesmo assim escrevo, escrevo porque essa letra é meu grito sem som. Escrevo porque no final das contas escrever é tudo o que sempre me restou depois de olhar o mundo e sentir seu gosto na ponta da língua, e sentir seu desgosto na ponta do peito: escrever. Esse grito silente vem com cor de ensurdecedor.
Eu poderia também escrever aqui um texto enorme ressaltando todas as minhas qualidades, mas acredito que o que é preciso saber já está sabido. Acredito que as minhas qualidades você já saiba todas apesar de todos os defeitos que você já conhece de cor, salteado e de trás pra frente. Talvez seja mais conveniente até falar dos defeitos, aqueles sem os quais o edifício desmorona, vira pó. Mas também não vou falar disso pois apesar da insegurança e do meu humor ferino e negro eu estou louca pra me perguntar se alguém sabe me responder a pergunta que eu já tenho a resposta. Eu estou louca pra dizer que eu entendo de uma forma completamente ignorante a forma como sou imensamente capaz de fazer alguém me amar por nada, e da mesma forma desamar. Por nada? Por tudo? Vai saber.
Hoje eu acordei cedo e comi bolachas de água e sal com manteiga deitada na rede de casa, e olhando as bitucas, copos, vidros, garrafas d’água espalhados pela casa eu fiquei pensando Meu Deus quanta mudança, estou perdida. Eu fiquei pensando em todas as minhas certezas guardadas na prateleira que o vento que entrou pela janela veio e derrubou sem dó. Agora eu as cato, todas bagunçadas, espalhadas pela casa no meio das bitucas e copos. Eu fiquei pensando que há um mês atrás eu andava chorando por medo de mudar e agora estou aqui: tudo mudado, nada nas mãos a não ser essa sensação de poder fazer o que bem entender com o tempo e com a vida. Argila fresquinha, eu vou moldando. Um dia já quis voltar atrás, mas não reclamo. Tenho a sorte dos desassossegados em busca do fio da alegria que entra cortante e agudo no peito. A alegria, só essa é perfeita.
Sabe, eu queria tanto dizer tanta coisa pra te convencer, eu poderia dizer que estou com raiva, mas a bem da verdade eu não estou e sei que eu não posso obrigar ninguém a me amar, nem a gostar de mim, por mais que esse alguém seja você. Rs. Acho que a única coisa que eu gostaria de falar pra deixar bem claro é que eu estou tão confusa e não sei o que fazer. A nossa vida (o nosso nós) já está tão marcado pelos nossos erros, e eu estou com tanto medo de um último erro fatal que nem sei o que faço: se fico pra ver a luta ou se apenas espero o resultado. Qual seria o mais egoísta? Abandonar o barco agora que tudo se complicou ou tentar brigar por uma coisa que não se briga e pedir uma coisa que não se pede? Amor é só uma entrega gratuita então eu fico pensando que se alguém tiver de me amar ou de confiar de novo em mim vai ser por aquela forma que eu já disse lá em cima. Vai acontecer. Não preciso dizer mais nada pra poder provar mais uma vez algo que eu provo todos os a cada dia, através desse meu amor, que, apesar de toda mudança, de toda incerteza, toda tristeza, todo ia, todo não ia, não abandonou o barco.
Ainda não.
Quarta-feira, Setembro 14, 2011
Sabe?
Sabe, eu sinto eu sinto tanta saudade sua que meu coraçãozinho fica pequenininho e simplório pensando em pores-do-sol e quase sempre te procuro pra não deixar escapar.
Sabe, eu penso sempre em você com meu coração complicado, orgulhoso, todo cheio de defeitos. Eu penso nos seus defeitos e só consigo me pegar gostando ainda mais. Porque gostar é gostar até mesmo daquilo que você tem de pior. E eu às vezes gosto.
Sabe, eu sei que você não é minha, mas eu sinto um ciuminho imbecil que nem é do seu corpo bonito, é só do seu sorriso lindo e dos seus olhões assustados e delatores. Sabe, eu queria muito poder te chamar sempre de Minha, mesmo não sendo minha.
Sabe eu fico tão confusa com tudo, não sei como te interpreto, eu que sempre sei o que dizer muitas vezes me pego tão muda. E eu tenho tanto medo que a gente se perca, sabe? Medo de não poder mais segurar sua mãozinha macia e delicada, de não ver mais os seus olhinhos preocupados, de não escutar mais sua voz quase inaudível no meio de todo mundo dizendo "você tá bem?"
E eu tenho medo até de dizer que tenho todo esse medo e você se assustar e fugir correndo de mim, achando que não estou entendendo a situação, que não vou dar conta. Sabe? Mas eu entendo sim, claro que entendo, claro que sim, mas é tão difícil.
Só faz um dia que estou longe de você e cá estou eu, às duas da manhã, acabando de tomar o remédio que você me deu e escrevendo aqui pra falar de você, pra falar COM você, e com a cabeça confusa, sem saber direito o que pensar de tudo. Sem saber bem no que me fixar melhor. Sabe o que é isso?
Sabe, é claro que você sabe.
No mais, o que tenho a dizer é que: é o velho amor de ainda e sempre :)
Terça-feira, Agosto 30, 2011
Só :)
Tudo que você tem não é seu
Tudo que você guardar
Não lhe pertence nem nunca lhe pertencerá
Tudo que você tem não é seu
Tudo que você guardar
Pertence ao tempo que tudo transformará
Só é seu aquilo que você dá
Tudo aquilo que você não percebeu
Tudo que não quis olhar
É como o tempo que você deixou passar
Tudo aquilo que você escondeu
Tudo que não quis mostrar
Deixe que o tempo com tempo vai revelar
Só é seu aquilo que você dá
(Lampirônicos)
Terça-feira, Agosto 23, 2011
Sábado, Agosto 20, 2011
Festa? Festa!
Ontem era madrugada quando fui sentir o vento frio correndo pelas pernas e agitando meu cabelo irreverentemente e o céu já havia se avermelhado há muito tempo. Me senti liberta com a pele arrepiada pelo frio e os cabelos soltos e desgranhados, e a euforia me fez lembrar que algumas horas atrás eu me sentia tão fraca, tão inútil, tão insignificante e tão triste a ponto de não conseguir me levantar nem da cadeira em que estava sentada sem tontear. Mas me lemvantei. Fiz comida, arrumei casa, tomei banho, me arrumei e botei a cara na rua. Porque tudo passa, inclusive a própria alegria que sinto agora depois de ver o dia acordar cinza e eu colorida, vermelha, alaranjada por dentro. As coisas sempre recomeçam e eu recomeço o quebra-cabeça que monto de mim depois de ter atirado o tabuleiro na parede e desfeito o desenho quase montado de antes. Agora me remonto e vejo surgir a garota escondida atrás do espelho, atrás das crenças, dos conceitos, das roupas. A garota escondida atrás do olhar estigmatizado das outras pessoas. Dançar, cantar uma música alto, beber, conversar, rir até doer, zanzar pra lá e pra cá, ser olhada e desejada, conversar com pessoas que nunca vi na vida. Chegar em casa sozinha, ser dona do meu nariz, esquentar comida no micro, tomar banho e depois dormir limpa e tranquila pensando num lugar distante. Acordar e sentir o dia frio, ver meu gato encolhendo as orelhas e olhando o tempo na soleira da porta, fazer almoço com os amigos, ver um filme à tarde e escrever sobre essa alegria marota brincando no meu rosto e as luzinhas dançando me fazendo hora menina de novo, hora mulher. Saber que a tristeza da noite passada pode voltar, mas que eu vou tentar estar preparada pra segurar a barra e continuar a andar. Que vou estar sorrindo de cabelos desgrenhados numa outra noite qualquer. "Pode ir junto, isso é que é viver" ;)
Quinta-feira, Agosto 11, 2011
Deliberando
Meu Deus, queria falar tanta coisa sobre tanta coisa, que nem sei muito o que dizer. Queria chorar tanto, por tantos motivos, por tantos angulos de sofrimento diferentes, que não consigo expelir mais de umas poucas lágrimas a cada vez que me desespero. Queria dizer que estou tentando voltar atrás e olhar pela mesma fechadura que estava olhando, que estou tentando ser firme e ficar forte, e de fato estou tentando. Mas apesar disso sinto as pernas moles e fracas ao final de cada dia, sinto vontade de vomitar cada vez que como (embora tenha me forçado a comer e a não vomitar) e vontade de desmaiar cada vez que a lua aponta raios claros iluminando as nuvens do céu que não promete sequer uma chuva. Queria dizer que tenho passado os dias tentando organizar os pensamentos, tentando me livrar da culpa, tentando te livrar da culpa, mas tem sido difícil. Acreditar no destino às vezes é tão difícil, principalmente pra gente como eu que acredita no gesto, na ação. Queria dizer que gostaria tanto, mas gostaria MUITO, de acreditar que você é a pessoa boa que eu achei que você fosse, que acreditei que você havia se tornado. Mas nem sempre consigo, embora guarde dentro de mim uma fatia de coração que diz "fui eu quem fiz tudo isso". Sabe, eu queria falar tanta, mas tanta coisa do que foi nosso, tanta coisa que prefiro ficar calada ás vezes (embora sempre acabe falando). Mudo de idéia o tempo todo e de humor também. Queria tanto falar de nós, mas vou pra rua, bebo, fumo, e sinto tanta saudade de me sentir segura, de ter abrigo, e, mais que isso, tanta saudade de você epenso tanto em tudo isso que estou com saudade de mim. Saudade de me encontrar comigo, de saber quem eu sou de novo, de sofrer minha dor sozinha e calada. Fico aqui enrodilhada no lado que era seu da cama imensa, como um animalzinho pequeno. Quero ficar enrolada com a minha dor, quero sofrer até desidratar, chorar rios, (já passei da fase de querer me arranhar ou quebrar coisas), queria ir até a última gota pra amanhã esquecer tudo e só me lembrar da noite anterior pela dor de cabeça do choro. Mas não consigo. Guardo tudo, vou pra rua, saio, bebo, sinto as pernas amolecerem e o corpo pesar e apago. Amanhã é outro dia em que levo lentamente até a lata de lixo mais um pedacinho da dor.
Domingo, Julho 24, 2011
Gerânios
Ela que descobriu o mundo e sabe vê-lo do ângulo mais bonito. Canta e melhora a vida, descobre sensações diferentes, sente e vive intensamente. Aprende e continua aprendiz. Ensina muito e reboca os maiores amigos. Faz dança, cozinha, se balança na rede e adormece em frente à bela vista. Aprende e continua aprendiz. Despreocupa-se e pensa no essencial. Dorme e acorda. Escreve diários, pinta lâmpadas, troca pneus e lava os cabelos com shampoos diferentes. Faz amor e anda de bicicleta dentro de casa. E corre quando quer. Cozinha tudo, costura, já fez boneco de pano e brinco para a orelha, bolsa de couro, namora e é amiga. Tem computador e rede, rede para dois. Gosta de eletrodomésticos, procura o amor e quer ser mãe, tem lençóis e tem irmãs. Vai ao teatro, mas prefere cinema. Sabe espantar o tédio, cortar cabelo e nadar no mar. Tédio não passa nem por perto, é infinita, sensível, linda. Despreocupa-se, pensa no essencial. Dorme. E acorda.
Marisa Monte
Quinta-feira, Julho 21, 2011
Pequenininha
Todas as férias de Julho quando venho pra Guiratinga fico saudosista e me pergunto como seria ter crescido numa cidade grande. Guiratinga é dentre vários lugares por onde passo o que consegue ser ao mesmo tempo dentro das minhas lembranças meu inferno e meu céu. Inferno porque é aqui que me encontro sempre com os problemas da minha família. Céu porque aqui encontro abrigo nesta mesma família que apesar de problemática traz consigo traços de minha própria personalidade geniosa. Inferno porque aqui vivi dias de solidão insuperável e aqui pensei pela primeira vez em dar fim na minha própria existência (tão tola, no auto dos meus treze anos ignorando todo mundo dizer que passa, e sempre passa). E céu porque aqui encontro todos aqueles que vêem aqui simplesmente para se encontrar.Gosto dessa cidade. A mesma cidade que faz minha irmã caçula chorar muitas vezes, que faz minha irmã mais velha viver se irritando, nessa mesma cidade me sento com as mesmas pessoas de que gosto sempre, com a necessidade de ter apenas na memória boas lembranças e histórias pra contar. Não precisamos falar mal de ninguém na maior parte do tempo: é só ir contando os fatos e as histórinhas que viraram lendas, "as lendisses" como alguém falou. Aqui só é preciso algo pra levar à boca (um cigarro, no meu caso, ou um beck, no caso de alguns) e algo pra levar á bexiga: cerveja, vinho vagabundo, vodka barata misturada com coca-cola numa garrafa pet, ou mesmo tereré quando falta o álcool. Toda vez que venho aqui e olho pra cara dos meus amigos de sempre, me pergunto: como seria ter nascido e sido criada em outra cidade que não esta? Tão solitário. Guiratinga me parece (pelo menos a mim) um encontro com as minhas origens, com as mesmas pessoas que fiz tantas bobeiradas, peraltices, porquê não? Com as mesmas pessoas que brinquei quando criança e que briguei quando adolescente, que ri no meio da rua ensolarada morrendo de preguiça. Se morássemos em uma cidade grande, onde estaríamos nos encontrando agora? Mas voltamos sempre. Não só pela família eu voltamos. Eu pelo menos não. Volto porque gosto do silêncio das ruas de noite, gosto dos postes iluminando a pacatisse, gosto do frio que é um frio de ar-condicionado, frio que vem dos matos que nos cercam, dos rios. Gosto da água que posso beber da torneira e da água sem cloro que lava meus cabelos. Me imagino uma velhinha daqui há muitos anos, voltando sempre e contando as mesmas histórias de como era bom isso aqui. E não imagino que vá mudar muito. Gosto de Guiratinga, mas não quero morar aqui justamente porque não quero odiar a cidade que amo, que é meu berço, que andei e ando de pés no chão, onde cavoquei muita terra nos quintais das casas em que eu brincava sem camiseta. Não quero odiar os asfaltos gastos da cidade em que ralei meus joelhos com a Carol, onde quis aprender a escrever meu nome pra poder assinar a nota da locadora de fitas VHS vizinha. Falando assim pareço uma velhinha, acho que sou meio jovem-velha, ou velha-jovem, sei lá. Quando encontro alguém que também nasceu em uma cidadezinha me identifico, e simpatizo de cara. Primeiro eu falo das picuinhas todas e das dificuldades, mas logo vêm as coisas boas todas que existem. Nascer numa cidadezinha faz toda a diferença. É um berço. É um elo que se tem pra sempre.
Terça-feira, Julho 05, 2011
Do bem.
Seu apelido tem apenas três letrinhas, composto por um C, um H e um U. Chu, abreviação de um nome de comida alemã. Mas poderia também seu LUZ, pois ela é daquelas pessoas que (assim como diz o Tio Ali), traz luz à minha casa. Hoje eu estava meio triste, e ela passou aqui, e como sempre acontece quando fica mais que seus cinco minutinhos rotineiros, o meu dia (ou melhor, o meu fim de noite) ficou mais colorido e brilhante, mesmo ela estando, assim como eu, meio triste. É engraçado, tem pessoas que não precisam fazer quase nada pra que você se alegre com ela, mesmo quando ela está assim, dolorosa com a vida. A Chu veio aqui hoje e eu fiquei o tempo todo buscando histórias engraçadas pra ver uma das coisas que mais me deixa contente facilmente: seu sorrisão bonito e sincero, até meio bobo (mas muito sábio) que vem do alto daquele 1,80 metro de altura. Fico pensando que uma das coisas que a vida tem de melhor talvez seja isso: alguém que chega no fim do seu dia e faz ele ficar brilhante. Brilhante porque é essa a palavra que penso toda vez que me lembro do sorriso da Chu: um sorriso brilhante, mesmo que meio tristonho, um sorriso que mostra a pessoa boa que ela é, e que me deixa feliz por estar perto de alguém tão boa assim. A Chu às vezes pode até parecer meio boba, mas é de uma sabedoria tremenda, saca coisas antes de todo mundo e quando menos se espera diz coisas que me fazem pensar, (mesmo não sabendo nenhum ditado popular de cor), tudo isso sem perder a simplicidade. Mas hoje ela estava meio triste, e fico preocupada porque nunca vi a Chu chorar (apesar de saber que ela chora). E então, com a simplicidade de menina que ela sempre me ensina toda vez que aparece com seu sorriso cintilante, vou mandar um torpedo sms dizendo o quanto gosto de vê-la, o quanto ela colore meus dias, e que queria muito que ela ficasse bem. :)
Domingo, Julho 03, 2011
Balanço
Show da Ivete:
Várias brigas,
um empurrão,
um óculos quebrado
vários desencontros
Foram roubados:
Uma carteira de habilitação
Dois cartões de crédito
Um cartão de débito
Uma identidade funcional
Uma certidão de nascimento
Rg
Cpf
60 reais
Saldo: ESGOTADO.
Várias brigas,
um empurrão,
um óculos quebrado
vários desencontros
Foram roubados:
Uma carteira de habilitação
Dois cartões de crédito
Um cartão de débito
Uma identidade funcional
Uma certidão de nascimento
Rg
Cpf
60 reais
Saldo: ESGOTADO.
Sábado, Julho 02, 2011
Família, Família
"Papai, vovó, titia".
Hoje estou me sentindo adulta. Família em casa. Estou feliz. Diminui um pouco a ansiedade de vida que permanece sempre. Dêem lincença fantasmas, pois boa anfitriã que sou, vou tomar uma cerveja com meu cunhado, e fumar um cigarro com minha irmã, antes de conferir se a mais nova está dormindo bem. (L)
Hoje estou me sentindo adulta. Família em casa. Estou feliz. Diminui um pouco a ansiedade de vida que permanece sempre. Dêem lincença fantasmas, pois boa anfitriã que sou, vou tomar uma cerveja com meu cunhado, e fumar um cigarro com minha irmã, antes de conferir se a mais nova está dormindo bem. (L)
Sexta-feira, Julho 01, 2011
Leões
"O desejo é um leão. Selvagem, carnívoro, brutal. Não permite acomodação: nos faz farejar, caçar , brigar pelo nosso sustento emocional. O desejo nos transpassa, nos rouba o sono, confunde o pensamento lógico. O desejo corrompe nosso bom comportamento, faz pouco caso da nossa índole irretocável. O desejo não tem pátria nem família, o desejo não tem hora nem tem verbo, o desejo ruge, nosso corpo é a sua jaula. Mas a gente acomoda e anestesia o leão em nós. Resta a jaula vazia. Já nenhum risco nos ameaça, nenhuma surpresa nos aguarda. Uma desolação, chama-se o livro."
Martha Medeiros
Quarta-feira, Junho 29, 2011
Sexta-feira, Junho 24, 2011
"Pousa-se toda Maria no varal das vinte e duas fadas nuas lourinhas"
Marisa Monte
"Farinhar bem, derramar a canção.
Revirar trens,louco-mover paixão.
Nas direções programado e emoldurado
esperarei romântico"
Marisa Monte
Marisa Monte
"Era uma vez, também, nesse tempo (que nem tempo antigo, era, não; era tempo de agora, que nem o nosso), um homem que acreditava. Um homem comum, que lia jornais, via TV (e sentia medo, que nem a gente), era despedido, ficava duro (que nem a gente), tentava amar, não dava certo (que nem a gente). Em tudo, o homem era assim que nem a gente. Com aquela diferença enorme: era um homem que acreditava. Nada no bolso ou nas mãos, um dia ele resolveu sair em busca do País das Fadas. E saiu. Assustado, inseguro, sozinho, cada vez mais faminto e triste, o homem que acreditava continuava caminhando. Chorava às vezes, rezava sempre. Pensava em fadas o tempo todo. E sem ninguém saber, em segredo, cada vez mais: acreditava, acreditava."
Uma História de Fadas - Caio Fernando Abreu
"Farinhar bem, derramar a canção.
Revirar trens,louco-mover paixão.
Nas direções programado e emoldurado
esperarei romântico"
Marisa Monte
Dias
"Cantar e cantar e cantar na beleza de ser um eterno aprendiz. Ah, Meu Deus! Eu sei que a vida devia ser bem melhor e será! Mas isso não impede que eu repita..."
Há mais de uma semana em Guiratinga, os programas de rotina ficam mais calmos, mais lentos.
Acordar todo dia na casa da mãe e ver ela querer fazer de tudo pra agradar todo mundo e ensinar ao mesmo tempo (e nem sempre dá conta).
Comer um pudim quentinho, recém saído do forno feito por ela.
Ver a Gabriela perder todos os jogos de vôlei e chorar por isso.
Ver a Gabriela perder todos os jogos de vôlei e chorar por isso.
Ver o Sócrates ser campeão no futsal e vibrar com isso
(gritando muito na torcida pelos dois).
Imitar o Michael Jackson no kinect.
Jogar bola com um golzinho feito de pedras no meio da rua com a Nina de vestido e tênis e ver a polícia parar pra perguntar se aconteceu algo por causa dos nossos gritos. haha
Brincar de pega-pega à noite e ter que gritar "melão meão quem não sair do pique tá pego" haiuhsias
Rever o meu primeiro amor de infância, perceber que ele tem as mãos geladas de suor (como as minhas eram), e que tem muitos medos.
Olhar pra mim e ver que eu também tenho muitos, milhares. E embora eu acotde muitas vezes cantando "tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu...", a nossa diferença é que estou aqui escrevendo, e boto tudo pra fora. O suor das mãos vai embora, meus olhos ficam mais calmos, e posso até cantar outra vez que
"eu fico com a pureza da resposta das crianças: é a vida, é bonita e é bonita"
Terça-feira, Junho 07, 2011
Carta Aberta.
Caro bispo Edir Macedo, é pena esse comentário me dispor apenas de 500 letras e tantos comentários diminuírem a possibilidade de que o senhor venha a ler o meu, pois gostaria muito que isso ocorresse, assim como gostaria muito de escrever um texto de inúmeras páginas a respeito de CINISMO e IGNORÂNCIA, mas desta vez, os seus. É lamentável ver que uma pessoa que julga-se tão sábia tenha a cara de pau de usar o nome de Deus para semear intolerância de forma tão covarde. Eu nem deveria estar escrevendo e perdendo meu tempo com isso, mas a ira que te move é uma faca de dois gumes e acaba ferindo a mim também, cidadã, que estou quieta no meu canto, vivendo minha vida de lésbica assumida na companhia (com a maior certeza) de Deus, e não do Satanás, como o senhor diz. De fato, Deus ama o pecador, não o pecado (é, eu também leio a Bíblia), mas Deus, a pessoa de quem o senhor julga falar em nome, também nos diz que ninguém pode nos julgar que não ele. Ou será que o senhor esqueceu essa passagem bíblica? O que me deixa mais triste é os governantes tratarem com o mesmo cinismo do senhor a temática dos kit anti homofobia, que só estariam sendo distribuídas devido a um longo histórico de censura pregado pelas igreja e pela cultura dos ignorantes (pra não dizer burros) que acabou por desaguar nessa chuva de violência e ignorância.
Veja o senhor que eu, criatura que pareço saber muito mais sobre a palavra do que a maioria desses hipócritas de sua igreja, não sou evangélica, muito menos católica, e mesmo assim respeito sua doutrina a maior parte do tempo. Não ataco, mas contra-ataco, porque (a diferença do senhor) não acho que sou Jesus Cristo pra dar minha outra face à tapa. Veja você que irônico seria, se eu, lésbica, que não tenho religião saísse nas ruas e me mobilizasse contra todos os religiosos que vivem sua vida da maneira que querem e acreditam, e mais, se eu nesta condição de discordância saísse distribuindo bofetadas e pontapés em suas igrejas. Ora, qual seria então a minha diferença entre mim e você, se também estou lutando pelo que acredito? Mas o que acontece caro Edir, é que não faço nada disso e fico na minha, não coloco (até o momento) nenhum protesto na internet em relação aos pastores, bispos, padres, todos sustentados pelo tamanho da fé de suas ovelhas, as mesmas ovelhas que hipocritamente dizem temer tanto o kit anti homofobia, “a criação do diabo”, como vi tantas pessoas dizerem em seu blog. Digo hipócritas, porque o medo talvez não seja de Deus, mas sim da sociedade religiosa, repressora, intolerante, que jamais aceitaria seu filhinho boiola ou sua filhinha sapatão. Hipocrita, porque mesmo depois de tantos estudos cientificamente comprovados, e tantos casos vistos durante toda a história da humanidade, continuam se referindo aos gays como se estes optassem por amar ou sentir tesão por pessoas do mesmo sexo. “Tira primeiro a trava do seu olho, pra que possa tirar o cisco do olho do seu irmão”. Eu não deveria mais estar me revoltando ou sentindo raiva, ou sequer gastando meu intelecto mutíssimo mais beneficiado que o seu para escrever este texto, mas acontece que estou cansada de bispos pedófilos e ladrões sentando em cima do rabo pra falar do que consideram como defeito alheio. Estou cansada de me lembrar de padres, pastores, bispos, usando o tempo todo a emblemática frase “te aceito mas você tem que mudar”, ou ainda “você não vai ser feliz indo por esse caminho”. Estou cansada porque Cristo nos ama como somos, e porque sou muito feliz sim obrigada, mas fico pensando em seus filhos que por causa de uma idéia tão imbecil quanto a da postagem “meus filhos não vão virar gays”, talvez morram reprimindo sua felicidade, e tenham, eles SIM, uma vida infeliz.
Sou feliz porque sou livre, tenho Deus como guia, e uma família que graças a ele não era tão ignorante quanto o senhor. O kit anti homofobia não faz propaganda da homossexualidade (só pra informação, a palavra certa é essa, não homossexualismo), mas mostra a REALIDADE. Ninguém quer que o filho seja gay, ninguém almeja isso, nem eu, lésbica assumida sonho com isso. Mas se for, pra mim tanto faz, (TANTO FAZ, ENTENDEU? SOU INDIFERENTE A ISSO), pois pra mim, antes de tudo somos seres humanos e o sol nasce todos os dias para todos nós. Tenho certeza que se esse material for bem preparado só nos trará benefícios, para que as crianças não cresçam assim como o senhor intolerantes e arrogantes, pensando estar acima do bem e do mal. HOMOFOBIA agora é CRIME, assim como é crime matar, roubar, ou bater em alguém por qualquer causa, religiosa, racial, ideológica. Crime é crime. Pecado pecadinho pecadão. Não é isso que a igreja prega? Não há distinção. Não posso falar em nome de Deus mas creio que ele fica muito aborrecido em ver uma criatura SUA sendo chamada de obra do satanás. Sim, pois a homossexualidade não é uma OPÇÃO. É uma CONDIÇÃO de algumas pessoas que antes de qualquer coisa são SERES HUMANOS.
Os: resolvi não entrar muito no tema bíblico, pra não ficar aqui falando em vão com quem diz entender demais da palavra, e a distorce ao seu bel prazer.
Segunda-feira, Junho 06, 2011
Desvendando
" Eu não bebo. Quer dizer, agora, de vez em quando, comecei a beber só porque entendi quando me falavam que sem álcool é tudo muito pior. Então passei a beber pouco. Uma taça de vinho? Mas naquele dia eu não podia beber porque não tinha comido e também porque não estava a fim. Eu estava a fim de ir embora. Voltar pra minha vida que não era chata mas ficava chata quando percebia que eu tinha uma vida dentre todas aquelas vidas que se faziam perceber. Olhei pra porta. Ela abriu e você chegou. Eu não te via há 3 meses e alguns dias. Foi então que o narrador do meu cérebro pigarreou e mudou o tom. Eu me narro tudo desde que me tenho por cérebro. Como se o tempo todo eu me contasse e contasse o mundo. Para ver se eu existo e se o mundo existe. Para ver se eu me suporto e se suporto o mundo e se o mundo me suporta. É insuportável, mas o tempo todo minha cabeça narra tudo. Minuciosamente, detalhadamente, dolorosamente. O tempo todo eu cavoco o segundo, o pó, a pele, o que se diz, o que se parece. Tentando narrar o mais profundo do profundo do que eu poderia narrar. Só pra responder o mais profundo do profundo do que eu poderia perguntar. Então o narrador começou dizendo assim "e então ele entrou por aquela porta". Você entrou por aquela porta.
Que insegurança é essa? Eu não te pergunto nada, apenas desejo tanto você que sorrio como se não me importasse com sua existência. Mas você resolve se explicar mesmo assim. Porque "seus olhos estão sempre me perguntando algo", você diz. E você começa sua loucura que me faz gostar ainda mais de você. Empurra a palma contra o peito e diz "eu gosto assim, Tati, fechado, protegido, eu gosto". Então você olha para o meu copo d'água e diz: "eu sou só um copo d'água, mas você ficava me olhando e pensando nas bolhas e nos gelos e nos canudinhos e na transparência e se a água era isso ou aquilo. Água é só água, por que você complica a água, Tati?". Então apagaram a luz e eu quis me esconder dentro do seu paletozinho de publicitário descolado e ouvir suas batidas descompassadas e embaladas pelo seu cheiro de alma boa. Mas você pegou na minha mão e continuou dizendo que uma mão, muitas vezes, é apenas uma mão. Mas que eu insistia em enxergar os buracos entre os dedos, os anéis que separavam os dedos, a dor da separação dos dedos, a gota da bebida gelada entre os dedos. E que você não poderia suportar isso. A maneira como eu te olhava. Vendo mais, inventando mais, complicando mais. E eu quis te dizer que tudo bem, eu seria uma menina simples. Eu mataria meu narrador, minhas possibilidades, meus mundos, minhas invenções. Só de ver seus cachos mais grisalhos e rococós ornando seus medos e superficialidades eu desejei não ser mais eu pra ser qualquer coisa que pudesse ser sua. Mas enchi meu peito surrado e murcho de coragem e te disse que, infelizmente, onde você era apenas um copo d' água eu era a tempestade."
Tati Bernardi
Domingo, Maio 29, 2011
A menina que nunca foi criança.
Era uma vez uma menina que nunca havia sido criança e que todos os domingos sentia falta de si. Acordava de manhã com medo da vida, e pra que o teto não desabasse sobre seu peito e seus seios ainda infantis (embora nunca tenha sido criança), saía correndo da cama como quisesse evitar uma catástrofe dentro dela mesma. Ao acordar e pensar sobre o dia vasto pela frente a menina já não sentia vontade de comer, nem dormir, nem fazer mais nada, a não ser escapar-se, fugir-se e desencontrar-se daquilo que parecia ser ela, mas que talvez não fosse. Nestes dias de poeira, chão engordurado e macarronada, a menina voltava a ser a criança que nunca havia sido, e tinha medo do mundo. Medo de apocalipses, pragas mitológicas, promessas não cumpridas, bicho-papão. E apesar de todos os seres estranhos morando dentro do armário do banheiro, o ser que a menina mais tinha medo morava dentro do espelho. Todos os domingos acordava e escovava os dentes tirando o cheiro de álcool e cigarro da noite passada, e conforme ia saindo o batom vermelho ainda impregnado de horas atrás, a mulher do espelho transformava-se lentamente na menina dos domingos, que salta da cama correndo de medo, até culminar no entardecer quando a mulher transformava-se de tal maneira na criança que nunca fora, que era impossível dissociar estes dois seres tão ambíguos. Então, como numa eclosão em decorrência de milhares de angústias, medos do futuro, insônias, sonhos não cumpridos, pessoas não encontradas e perguntas guardadas, a menina chorava um churo profundo vendo o sol baixar de tardezinha, fazendo o azul pálido se dissolver na imensidão negra da noite causando-lhe uma falta de ar que espremia o peito. Nestas horas, a menina tinha vontade de falar com a mãe, mas já era de tal forma criança que não sabia discar o número de seu telefone e dizer as palavras corretas. Nestas horas a menina lembrava-se do pai triste e de bigodes pretos por algum canto da casa vendo TV, o prato de comida escorado na pança branca e firme, e percebia tristemente que essa cena só existira no tempo em que não fora criança. Nestas horas a menina entrava nos banheiros a procurar uma toalha quase úmida com o cheiro do perfume da mãe, mas só encontrava as suas, tão vazias de lembranças. Na névoa cinza que o chuveiro emitia enrodilhava-se sentindo arrepios e já era de tal forma ínfima que desejava então voltar ao útero da mãe. Todo domingo a menina queria ser bebê de novo para estar novamente naquela casa quente onde, ao que lhe parecia, não poderia haver nenhum apocalipse, nem pragas mitológicas, onde ainda não havia feito a si nenhuma promessa, nem conhecido pessoa qualquer que seja, e onde as respostas ainda não precisavam ser buscadas: ela era um feto nadando no escuro e quente da mãe. Todos os domingos a menina sentia medo do que a noite traria enquanto ela dormisse e gritava assustada antes de pegar no sono, agarrando-se desesperada aos cobertores e braços ao redor. Quisera a menina que nunca foi criança, dormir antes de todos para ter olhos pregados sobre si, mas este era justamente o dia em que o sono mais demorava a chegar. No último instante de consciência, depois de horas de busca pela paz que faria seus olhos fecharem e seu corpo descansar, a criança ainda desesperava-se, mas já não havia tempo: a segunda-feira esticava seus braços preguiçosos ali por perto, e a menina que nunca havia sido criança já precisava ser mulher outra vez.
Terça-feira, Maio 24, 2011
Preconceito e Festa Gay
Em primeiro lugar quero contar que a minha idéia inicial era escrever dois textos separados: um se chamaria homofobia e o outro festa gay. Depois pensei que homofobia é um termo muito pesado, já que o caso da maioria das pessoas não é fobia de bicha, aversão de boiola, é só aquele rançozinho de ignorância mesmo que fica impregnado na pele da gente, a mesma sujeirinha macabra que vejo quando alguém diz “aquele preto preguiçoso” ou “aquela crente do rabo quente” e assim por diante. Bem, pensei em escrever sobre esses dois temas, Festa gay e Preconceito (que achei uma palavra melhor que homofobia), mas daí vi que, por mais que não pareça, dariam muito bem um texto só e... Voy Li!
É engraçado como são os gays, e falo isso na minha condição natural de lésbica assumida pra pai mãe e parteira (brincadeira, na verdade eu nasci no hospital, mas o médico que me tirou da barriga da mamãe também sabe, inclusive agora é pastor e talvez por isso mesmo nunca mais tenha falado comigo). Enfim, falando na minha condição natural de lésbica assumida (logo, falando como quem entende do assunto) acho a classe dos gays muito engraçada às vezes. Engraçada pra não falar “estranha”, “complexa” ou, porque não?, “incoerente”. Atenção: não quero generalizar e criar mais uma espécie de preconceito, como os carrascos da colonização que surravam e matavam seus próprios irmãos pretos. Não é isso. Digo por que observo muito e nesse muito observar vejo que gay é assim: irreverente, alegre, feliz, os assumidos então, nem se fala! Adoram se mostrar e brigar por tudo que querem: por respeito, por igualdade, por direitos. Até aí tudo bem, nada de errado, tudo lindo MESMO, mas toda vez que me arrumo e fico linda para ir numa festa gay (coisa que não faço com tanta freqüência) vejo algo que destoa de todo esse ritmo e ideal de igualdade, civilidade, cidadania. Logo explico.
Não sei se você sabe, caro leitor heterossexual, mas todo gay (e falo homem, mulher, travesti, transex, qualquer coisa do tipo) odeia que o estigmatizem com os adjetivos de sempre: vagabundo, prostituto, infeliz, puto, drogado, barraqueiro. Certíssimo, quem é que gosta de estigmas? O estigma e a tipificação são o pai e a mãe do preconceito. Enfim (hoje estou muito prolixa) todo gay odeia isso, mas toda vez que ponho meus pezinhos lésbicos ou meus sapatões em uma festa gay já sei que tem algo que não pode faltar na noite: pelo menos UM show de strip-tease. Na maioria das festas são dois: um para as bichas, outro para as sapas, já todaaas nós pagamos pra entrar. Mais que direito, né? Não, não. Pelo menos EU não consigo entender: porque a cultura gay é assim tão associada ao sexo? Porque nós próprios, os gays, não conseguimos nos desvencilhar da putaria explícita? É como quiséssemos dizer: “Não vivem dizendo que sou isso? Agora eu vou ser, só pra não fazer o contrário”. Não sou boa conhecedora das leis, mas não sei se strip-teases que deixam mostrar de onde se mama a onde se caduca são apreciadas pela ordem pública. É lógico que não sou hipócrita, quem é que não gosta de uma putariazinha? Mesmo que na maioria das vezes seja em situação risível, todos nós gostamos e achamos graça, mas sempre me questiono porque cargas d’água festa gay SEMPRE tem uma striper. É como se em qualquer encontro masculino houvesse obrigatoriamente uma dançarina nua pedindo-os que passe óleo bronzeador em seu corpo. Ou como se toda vez que eu fizesse uma reuniãozinha para minhas amigas em casa tivesse que chamar um go-go-boy de cueca de couro que tirasse a roupa e ficasse de pau-duro.
Na festa o espetáculo é como já é possível imaginar: uma dançarina geralmente nada demais em cima do palco e milhares de mulheres pegando-a furtivamente e levando tapas nas mãos. Na hora da dançarina e do boy o palco lota, não tem nem como ver a performance, e as pessoas parecem leões prontos pra atacar. Ou melhor, leão não, que leão é um bicho que considero muito distinto e elegante, parecem mais macacos loucos pelo cacho de bananas. E eu me perguntando: porque precisamos tanto disso? Na hora da Drag Queen, que era cover oficial no Brasil de uma das maiores divas da música internacional, o palco ficou vazio e todo mundo parou pra olhar uma briga de três sapatões rolando pela grama, tudo por causa de uma só perereca. Me deu tristeza: a Drag, que era uma verdadeira Queen, toda gloriosa fazendo seu show, com uma roupa mega-luxo, uma peruca escândalo, dançando muuuito, representando (isso sim!) de verdade a cultura gay com responsa, e todo mundo para pra olhar três meninas brigando e saindo aos socos. Santa paciência.
Vou a uma festa gay toda cheia de expectativa, de encontrar vários amigos, de rir bastante da comédia da Drag, de ver e rever amigos que foram todos lindos para um lugar onde podemos nos abraçar, nos beijar, nos relacionar sem a preocupação de ferir os olhos da sociedade hétero em geral, e vejo que por vezes nos esquecemos que nós, os gays, TAMBÉM somos sociedade. Não somos bichos que precisam pular em cima de uma mulher ou homem nu como se nunca tivéssemos visto isso antes. Não precisamos sair aos socos por causa de ninguém. Não precisamos cheirar pó descaradamente num quartinho onde todo mundo sabe o que rola. Não precisamos trepar em público. Não precisamos desrespeitar outro que está ali de mãos dadas com seu namorado, como se fôssemos nós mesmos uma pessoa qualquer que não respeita a individualidade alheia. Depois da festa gay volto pra casa pensando que talvez seja por isso mesmo que soframos tanto preconceito. E ás vezes as pessoas de FORA parecem nem estar olhando. Sei que putaria, promiscuidade, drogas, isso existe em todos os meios, mas porque então quando nos reunimos para extravasar é SEMPRE que acontece?
Essa semana muito se falou a nosso respeito: são os kits anti-homofobia sendo aprovados pelo MEC (assunto sobre o qual não me informei o bastante pra falar a respeito), é a aprovação da lei que legaliza o casamento gay no judiciário, é a aprovação da lei que torna criminoso todo aquele que seja preconceituoso com a classe gls. E nós, fazendo pouco dos benefícios. Essa semana falou-se muito e precisei me lembrar que antes mesmo de descobrir que era lésbica, minha mãe me deu o nome de Isabela. Isabela Câmara Bonilha, gente, pessoa. Minha mãe quis e quer muito que antes de tudo eu seja uma boa cidadã, uma pessoa honesta e principalmente civilizada, que um pouquinho não faz mal á ninguém. Mas justamente nesta semana, alguém que diz que viu um casamento gay na TV, e diz: “eu achei tão bonito porque eles tiveram respeito, e se beijaram apenas na testa”. E eu dou uma fungada e penso: ôôô sociedade imbecil, tanta coisa para se munir de ranços, tanto a olhar e tirara conclusões gerais e precipitadas, e as pessoas estão se preocupando se um homem está beijando outro homem na boca ou na testa. Depois de tanta prolixidade eu fico triste e penso simplesmente assim: todo preconceito é muito burro mesmo
Terça-feira, Maio 03, 2011
Mar.
DEUS foi a palavra que tentei escrever em letras garrafais na areia da praia. DEUS. E quando estava pela metade da segunda letra, vieram as espumas brancas e apagaram tudo. Mas Deus continuou lá. Intenso, presente, totalmente incontestável. Porque não há como ver o mar sem acreditar que ele exista. O peso de Deus pesava meu peito e fazia o mar explodir em milhares de espumas brancas e algas vermelhas ao redor e diante daquela imensidão azul, quase colada à imensidão das nuvens eu me transformei em nada, deitada na areia da praia, escutando o barulho do mar que, assim como Deus é bravo. Pensei, pensamos: “meu Deus, você fez coisas realmente maravilhosas, mas o mar foi com certeza a maior manifestação do seu punho de artista das coisas vivas. No mar, Meu Deus, você arrasou”. O sol se punha atrás de minha cabeça anunciando que tudo pode ficar ainda mais perfeito ao crepúsculo, e eu sentia que se não houvesse o firmamento, o mar invadiria o mundo inteiro, assim como invadia a mim. Senti receio, mas por sorte as ondas voltavam sempre pra dentro do mar e a areia fazia o resto. Mais tarde eu vi um temporal se formando e as ondas se agitando como se fossem se encontrar os dois irmãos separados desde o nascimento: mar e céu.
Quando meus olhos contemplaram pela primeira vez o mar, Deus me deu um soco no peito e me disse “tola, achou que conseguiria imaginar esta magnitude?”. E eu respondi: achei errado. O mar estava manso e mesmo assim suas ondas eram maiores que a multidão de pessoas na praia, que seus vendedores e seus badulaques, que as cadeiras de sol. O mar me atingiu de um jeito, e eu me senti magoada: meu Deus, pensei comigo, eu tenho medo, muito medo do mar. Se só as espumas me faziam vacilar e entontecer, imagine as ondas sem controle, arrastando pessoas por todos os lados. Meu coração disparou e eu sentia aquela imensidão azul esverdeada me enrodilhar como ninguém havia feito antes. O mar é uma pessoa. E meu coração saiu pela boca quando enrodilhada por uma onda muito maior que eu, senti a boca ficar amarga e o nariz arder. Sal. O mar é um mar de lágrimas. E o mar estava calmo. É o que diziam. E eu não o queria chateado nem um pouco.
Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, e fez o mar para refletir ambos, pra que nunca duvidássemos. O mar é uma pessoa, e como toda boa pessoa, o mar é temperamental. Olhando as ondas de tardezinha quebrando com violência na praia suja, sabia que era assim como eu: enganava fazendo-se manso, lambendo as areias mesmo na calmaria. Mas basta um vacilo no mar pra que ele te trague, te leve pra lá da rebentação. Basta uma distração e a onde não é furada. É num piscar de olhos que se forma uma onda imensa, e o coração para um segundo de bater sem saber se fica ou se foge. Assim como a gente, só o mar, só ele é que sabe do mundo vivo que carrega por dentro de si. Suas sujeiras, suas lágrimas de sal, seus navios naufragados, seus corais coloridos e muitos, muitos, milhares de peixes nadando e batendo-se dentro dele, assim como as borboletas que guardamos no estômago. Eu falo no mar, e o coração se aperta. Como pode caber em mim esse tamanho de coisa inexplicável? Não cabe. Mas cabe. A imensidão azul é a perder de vista. O forte branco não é mais forte que o mar e nem mais alvo que suas espumas. O corcovado resiste à sua beira e as ilhas ficam pequenas partes de terra frágeis no meio do seu poder.A imensidão é azul a perder de vista e as ondas quebram em cima do meu coração. É. Benza Deus, ele sabe o que faz.
Quinta-feira, Abril 21, 2011
Papeando.
Hoje minha cabeça pulsou e doeu tão forte que achei que fosse desmaiar, caí no choro de dor e medo. Mas já melhorei. Há uma semana não consigo comer quase nada. Sabe aquela falta de fome? Colocam uma carne maravilhosamente suculenta na minha frente, sei que é gostosa, mas nem chego a salivar. Sem fome mesmo, tento forçar, mas logo chega um momento que não dá mais pra empurrar. Não sei se isso faz parte da minha enxaqueca. Tô morrendo de medo de ficar ainda mais magrela do que já sou e ainda com menos saúde. Sabe como é né? Magrelo é assim mesmo, sempre aos trancos e barrancos com o peso e o sistema imunológico. Depois de duas conjutivites e uma inflamação de garganta só neste mês agora me aparece essa droga de dor de cabeça e falta de apetite que não passa há uma semana. E olha que não bebo desde o réveillon. Depois dessas, acho que a cota de bicheiras já deu né? Tô até tomando muita água pra evitar possíveis problemas no rim haiushiauhsa. Paranóia mode on. É incrível como o fato de você não se sentir saudável parece te fazer ficar menos saudável ainda. Um saco. O que me consola mesmo é a Malú com seu pêlo cinzento e sua colerinha charmosérrima de oncinha tentando arrancar o modem 3G do meu computador e subindo no teclado. MaluCa. Rsrsrs. É engraçado como ela me irrita e não para um segundo de correr atrás das pessoas da casa, morder meu calcanhar e quase rasgar o sofá, e mesmo assim, ter um miado tão manhoso. Quando a abraço me sinto mais calma, me sinto feliz, parece até um pequeno serzinho que depende de mim, de minha compaixão e benevolência, mas é eu olhar praquela carinha lambida e tentar fazer um carinho em sua cabecinha rajada que lá vem os dentinhos loucamente mordendo minha mão. Ai Malu. Amanhã “embarcamos” rumo ao Rio de Janeiro. Fiquei muito feliz por meu patrão ter me liberado pra ir, já que estou planejando essa viagem há muito tempo e ainda não conheço o mar. Mas confesso que estou morrendo de medo de ficar doente ou passar mal na estrada. Mas vale o medo! Mal posso esperar pra chegarmos logo, acho que nem vou dormir, vou ficar o dia todo no ar pra ver se aproveito melhor a cidade maravilhooosaa (8) rsrsrsr Bem, acho que de novidades por enquanto é só isso. Estou trabalhando com o blog da PIBID, por isso tenho ficado meio relaxada com esse aqui. É um blog que orienta professores e alunos no incentivo à leitura, bem legal. Quer passar lá? Aí vai o endereço: http://www.pibideleitura.blogspot.com/
No mais, de novidades na vida só isso mesmo. Mas por dentro... bem, sempre há o que ficar matutando e escrevendo. Segue aí no próximo post.
Sábado, Abril 16, 2011
"E se eu disser que estou com medo de ser feliz pra sempre, você acreditaria?"
O medo só dura um pouquinho. Sei que não serei feliz pra sempre. Não tenho esse gênero, nem essa sorte. E nem quero. Quero continuar sendo a mesma desassossegada de sempre, com meus altos e baixos, medos da morte, crises existenciais, e depois disso tudo me descobrir feliz, mais ainda que antes, como da primeira vez que pensei na vida: meu Deus, como estou sendo feliz. Felicidade é recompensa suada, eu sei. Mas hoje acordei me sentindo tão feliz que tenho até medo. Sabe aquela felicidade que te dá até uma pontadazinha de nostalgia. Sabe? Comecei a pensar em tudo que me levou a chegar até aqui onde estou. Morando nessa casa, passando máscara hidratante capilar nos cabelos (lógico), comendo bolo de chocolate e tomando café sentada na rede às 10:00 hrs da manhã desse sábado. Quanta gente deixei pra traz e que me fez crescer nessa jornada. Ontem foi o casamento do Max, meu segundo namorado. E eu me senti tão feliz por ele! Vejo como anda o coração de uma outra pessoa importante e me sinto tão feliz por ela! Me sinto feliz porque apesar de tudo ela está se saindo bem. Meu coraçãozinho vai sossegando pensando em como gosto de certas pessoas, como estão bem, fico feliz. Fico feliz porque fiz um bolo de chocolate e um café gostoso. Porque estou toda doninha de casa. Porque a Luana está ali dormindo até a hora que quer e eu não me incomodo com isso. Porque a Malú é a coisa mais linda e não para de espalhar pelos nas pessoas e correr pela casa se enroscando em tudo *---*. Tão, mas tããão contente por ter conseguido passar na prova da bolsa da UF, e mais feliz ainda por estar empolgada com tudo e vendo que É ISSO AÍ CARA, acertei de primeira! É isso que eu quero pra mim de verdade. Ajudar as pessoas, entrar na sala de aula, conversar com os alunos, pensar a educação, pensar em soluções pra tudo isso, tentar fazer com que ingressem nesse meu tão conhecido mundo de imaginação, leitura, arte. Ir escavando e procurando jeitos de fazê-los se achegar. Me sinto muito feliz. Pra ficar melhor, só precisa a máscara hidratante capilar fazer efeito, e engordar mais uns 4 quilinhos. rsrsrs.
"Tem muita gente que se distrai e é feliz pra sempre, sem conhecer as delícias de ser feliz por uns meses, depois infeliz por uns dias... Viver não é seguro. Viver não é fácil. E não pode ser monótono. Mesmo fazendo escolhas aparentemente definitivas, ainda assim podemos excursionar por dentro de nós mesmos e descobrir lugares desabitados em que nunca colocamos os pés, nem mesmo em imaginação. E, estando lá, rever nossas escolhas e recalcular a duração de "pra sempre". Muitas vezes o "pra sempre" não dura tanto quanto duram nossa teimosia e receio de mudar."
Martha Medeiros.
"Tem muita gente que se distrai e é feliz pra sempre, sem conhecer as delícias de ser feliz por uns meses, depois infeliz por uns dias... Viver não é seguro. Viver não é fácil. E não pode ser monótono. Mesmo fazendo escolhas aparentemente definitivas, ainda assim podemos excursionar por dentro de nós mesmos e descobrir lugares desabitados em que nunca colocamos os pés, nem mesmo em imaginação. E, estando lá, rever nossas escolhas e recalcular a duração de "pra sempre". Muitas vezes o "pra sempre" não dura tanto quanto duram nossa teimosia e receio de mudar."
Martha Medeiros.
Sexta-feira, Março 18, 2011
Encontro
Hoje saí com uma amiga minha que há menos de um mês terminou um relacionamento que durou mais de um ano. Quando acabou todos nos preparamos para dar o máximo apoio possível e o maior consolo que pudéssemos, mas acabamos ficando com o apoio e o conforto nas mãos cheias de afeto, surpreendidos em não precisar usá-los com a força e a garra de amizade que esperávamos. Que ótimo! Tudo lindo e indo bem. Mas hoje nós pela primeira vez saímos todos juntos, ou melhor, nos encontramos no mesmo lugar, eu, a minha amiga, nossos amigos e a ex namorada dela, que por sinal também é pessoa de meu apreço. É quase a mesma roda de amigos, com alguns complementos. De praxe teríamos feito uma grande mesa e ficado todos juntos, mas sentamos dessa vez em mesas diferentes. Impossível não notar, fiquei pensando. Lógico que havia a “nossa turma” e a “turma da ex” que na essência eram quase a mesma, mas ficou por isso mesmo e eu fiquei com uma dor no peito pensando o que penso sempre a respeito disso.
Não há nada mais esquisito nessa vida do que encontrar um ex namorado. Num minuto você ocupa todos os seus pensamentos com aquela pessoa, você adéqua seus horários aos dela, troca torpedos sms, divide com ela seus desejos, sonhos, medos, entra em seu corpo, sente todos os seus cheiros, acorda algumas vezes ao seu lado e pensa que quer isso paratodosempreamém até que um belo dia vêm as dificuldades que te fazem sofrer e plim! No dia seguinte vocês sequer sentam na mesma mesa. Nada mais esquisito do que olhar pra alguém por quem você sente indiferença e pensar que aquela pessoa já foi o seu mundo um dia. Mas nada mais tristonho do que olhar praquela pessoa e pensar que talvez se pequenos fatos tivessem sido evitados hoje vocês sentariam na mesma mesa e dividiriam a mesma cama na hora de dormir pensando em como é bom estar um ao lado do outro. Nada mais tristonho.
Hoje saímos, e é sempre a mesma história que eu vejo acontecer. Comigo, com todos os outros. A pessoa dança, conversa, brinca e principalmente bebe a noite toda. Está tudo bem. As duas partes estão levando isso muito bem, que maturidade! Que exemplo de civilidade, de superação, de pessoas bem resolvidas com as próprias escolhas e com o coração! Conseguem até ser amigas. Até que chega o momento do abraço de despedida. E esse momento chegou pra minha amiga. Não deu pra não olhar, foi bem na minha frente, e no segundo que se deu me transportei pra algum momento do tempo e me vi ali, com aqueles mesmos olhos intensos, com os mesmos braços estáticos não querendo mostrar nem indicar nada a não ser aquilo: simples abraço. Olhando eu pude ver e quase sentir de novo a dor pegajosa que se estabelece nesses momentos. O coração manda uma mensagem rápida de desligamento do cérebro que não funciona mais e que só fica repetindo as palavras do músculo dizendo: é bem aqui, achei o meu lugar. É a dor mostrando que está lá guardada em algum lugar, são as lágrimas que não choramos inundando o corpo todo e fazendo ficar estático. Os olhos olham as pessoas mas não as enxergam com medo de que algo aconteça e o momento acabe. A dor invade e se alivia, porque agora são quatro ombros pra carregar o peso do fim, do fim dos planos, do fim do amor, do fim da sua dignidade que não serviu pra te fazer andar com naturalidade e despedir-se das outras pessoas que ficaram também suspensas com você. É aí que encerra-se a parte da música que diz “mesmo sem te ver acho até que estou indo bem...” e entra a parte do “e é de ti que não esquecerei...”. Até que depois de milênios naufragado no êxtase da dor sendo trazida à tona e aliviada com os ombros de outrem alguém se move, algo acontece, o encanto se quebra e você vê que talvez deseje que aquela pessoa lhe diga: ei, eu quero muito estar com você também. Ou não diga nada, apenas te leve pra longe dali. Um segundo mais tarde vem a culpa de grudar naquele abraço e ter deixado de novo aqueles braços segurarem o peso do seu mundo. A culpa de ter cedido de novo ao vício daquele corpo que “funciona como uma redoma confortável”. Confortável, você pensa, essa é a palavra. Mas você segue em frente, levanta a cabeça e abre bem os olhos pra não dar espaço pras lágrimas. Enquanto vai embora apenas UMA coisa te conforta. É sua mente e coração cantando o refrão de Giz, aquela parte que o Renato repete melancólica e insistentemente “está tudo bem... tudo bem... tudo bem...”. Sem querer a gente acaba pensando que logo esse trecho, logo o que diz “tudo bem...”, é a parte mais dolorida da música.



















